domingo, 24 de fevereiro de 2008

"Cloverfield - Monstro", por Vinicius


Ir pro cinema assistir um filme de monstro destruindo Nova Iorque e esperar que ele seja bom é praticamente uma contradição. Mesmo assim, tentei a sorte e fui conferir "Cloverfield".


Pulemos a sinopse... isso é coisa pra profissionais . Se quiser ler uma boa, clique aqui

Cloverfield chupinha descaradamente a idéia de “A Bruxa de Blair” ao colocar os protagonistas atrás de uma “câmera caseira”. Apesar disso, os filmes em nada se parecem , já que a idéia em “Bruxa de Blair” era potencializar o terror mostrando toda a ação sob a ótica dos protagonistas, enquanto em Cloverfield fica claro que a intenção do diretor era colocar a platéia dentro do filme. É exatamente aí que moram o grande acerto e o grande erro da película.

O grande acerto, sem dúvida, foi o brilhantismo com que as cenas foram filmadas, realmente dando a sensação de que você está dentro do filme. O diretor foi muito esperto em não se preocupar em fazer grandes cenas mostrando o monstro em detalhes, nem aquelas “seqüências catastróficas” cheias de desabamentos, explosões espetaculares e carros voando (estilo Independence Day). A destruição e o desespero ficam subentendidos na reação da multidão e, principalmente, dos protagonistas. O resto são tomadas frenéticas e às vezes confusas, mas que dão elementos suficientes pra atiçar a imaginação da platéia e fazer com que cada espectador “crie seu próprio filme” dentro de sua cabeça. Ponto positivo!

Usar o recurso da “câmera caseira” também ajudou a maquiar um pouco a história “arroz com feijão” do filme. Os 20 primeiros minutos foram suficientes pra introduzir todos os personagens e explicar de maneira bem dinâmica (embora recheada de clichês) como eles estavam ligados uns aos outros. Mais sábia ainda foi a decisão de nem se preocupar em explicar o que era o monstro, de onde vinha e porque estava detonando Manhathan, afinal, QUEM LIGA PRA ISSO?? Nenhuma explicação iria convencer a platéia, melhor só colocar ele pra destruir tudo e deixar o resto, novamente, a cargo da imaginação do público. Mais uma vez, você acaba se sentindo parte da história, ajuda a construí-la.

Mas... como eu disse, toda essa interatividade tem um preço caro para a qualidade de Cloverfield. A partir do momento em que a destruição atinge seu auge e o perigo aumenta assustadoramente, os protagonistas começam a tomar decisões ridículas e fantasiosas que ninguém da platéia tomaria se estivesse no lugar deles. As situações geradas por conta dessas decisões são tão absurdas que acabam anulando aquele sentimento de “estou junto com eles” que tomava conta do espectador até aquele momento. A vontade de estar dentro do filme dá lugar ao pensamento “ah, não é possível que eles são tão idiotas assim! VOU FUGIR E SALVAR MINHA PRÓPRIA VIDA... deixa eles fazendo loucuras sozinhos!!”

No final das contas, você sai do cinema se sentindo meio “corno”... é como se os protagonistas tivessem traído você... fizeram você assistir uma grande e absurda mentira, ao invés de levar você a participar de uma genial e gratificante verdade.

Como cada um “participa” do filme do seu jeito, você pode estar pensando “esse cara tá falando besteira, o filme é genial”. Não discordo. Gostar ou não de Cloverfield vai depender exclusivamente de como você reagiria se estivesse no lugar dos protagonistas... eu teria feito tudo diferente! Deve ser por isso que não gostei.

Nota: 5,0



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